Arquivo da categoria ‘Memória, Verdade e Justiça’

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No dia 4 de novembro de 1969, em São Paulo, Carlos Marighella, lutador do povo brasileiro, que resistia ao regime instaurado pelo Golpe Civil-Militar de 1964, foi assassinado por agentes do Estado brasileiro. Relembramos hoje essa data em mais um programa da nossa rádio não com tristeza, mas com a consciência de que, embora tenha morrido no passado, Marighella vive no presente, está na rua conosco e com todxs aqueles que ousam lutar por um Brasil diferente.

“Há 44 anos mataram um homem. O mataram na luta. O corpo alvejado já não mais andaria pelas ruas da cidade, pelos becos da Revolução. Mataram o homem, mas não conseguiram matar o sonho, que é imune à bala e ao ódio. O sonho do homem que mataram há tantos anos corre pela cidade, galopa pelo campo e explode no coração do povo. E o homem, o sonho do homem, vivem.”

Luiz Paulo Magalhães

Militante do Levante Popular da Juventude RJ


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Na manhã de hoje, a Articulação Estadual por Memória, Verdade e Justiça do Rio de Janeiro acompanhou a visita da Comissão Estadual da Verdade ao 1° Batalhão de Polícia do Exército, onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), nos anos da Ditadura Civil-Militar do Brasil.

05rjvisitadoicodirandolfebolsonaromarcuspintoterComposta por militantes de varias organizações, (LPJ, Coletivo RJ, Grupo Tortura Nunca Mais, PCR, PCB, PT, PCdoB, PSB) e independentes, a Articulação vem apoiando e impulsionando o trabalho da Comissão Estadual da Verdade (CEV). Hoje não seria diferente. Os militantes foram até a porta do batalhão onde aconteceu a visita, que só pôde ser realizada depois de muito esforço por parte da CEV, da militância,  e de uma comissão formada por senadores e deputados de vários partidos que conseguiram a autorização da cúpula do Exército. A visita já tinha sido impedida em agosto e teria sido realizada na última sexta-feira, mas foi adiada mais uma vez. Após muita negociação, um grupo de pessoas (autorizadas pelo Exército) conseguiu finalmente adentrar o lugar onde na Ditadura funcionava o DOI-Codi da Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, um dos maiores centros de tortura do Brasil.

A visita começou com um início de confusão provocado pelo deputado Jair Bolsonaro que agrediu o senador Randolfe Rodrigues do PSOL, em uma clara tentativa de causar tumulto. Porém, Bolsonaro foi rechaçado e impedido de prosseguir na visita junto com outros parlamentares e a CEV, que não admitiram sua presença.

Por outro lado, a visita trouxe momentos muito emocionantes e importantes na busca por nossa História, pois manifestantesprotestodoicoditaniaregoabrcontou com a presença de ex-presos, e um deles, Álvaro Caldas, reconheceu o lugar onde ele próprio e sua companheira foram torturadxs. Também teve como grande aspecto positivo mostrar a mobilização dos militantes que debatem e lutam por Memória, Verdade e Justiça e o trabalho da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro. 

Apos a saída do local, a CEV deu uma coletiva para a imprensa, familiares e militantes populares que estavam de fora apoiando a visita, esclarecendo como havia se dado. Para a Comissão da Verdade do Rio, o DOI-Codi foi o principal centro de torturas do Rio durante a ditadura militar. A visita ao prédio é o primeiro passo da proposta de transformar o local em um centro de memória, como ocorreu com o antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo e com os centros de tortura na Argentina, no Uruguai e no Chile.

O Levante Popular da Juventude e a Articulação Estadual por Memória, Verdade e Justiça seguirão em luta!

Porque não se vira uma página que não foi lida!

(Curta a página da Articulação no Facebook)

Por Vívian Viríssimo, do Jornal Brasil de Fato

Batucada, panfletagem e discursos emocionados romperam com o ambiente pacato e tranquilo do Leblon nesta quinta-feira, 13 de dezembro, data em que se completam 44 anos da publicação do Ato Institucional nº 5 (AI-5). É neste bairro nobre que reside o tenente-coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel que foi escrachado por militantes da Articulação Memória, Verdade e Justiça do Rio. Lício participou do contingente das Forças Armadas que combateu a Guerrilha do Araguaia e é responsável, direta e indiretamente, pelo assassinato e desaparecimento de cerca de 60 militantes.

A presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Victoria Grabois, fez discurso contundente ao escrachar o militar responsável pela morte de seu irmão André Grabois e, indiretamente, pela morte de seu pai Maurício Grabois e de seu primeiro marido. “Ele precisa ir para o banco dos réus, precisamos não só de uma Comissão da Verdade, mas de uma Comissão da justiça. Os moradores da Rua Visconde de Albuquerque precisam saber que no seu prédio mora um torturador que assassinou dezenas de pessoas”, defendeu.

O coronel Lício Maciel, também conhecido como Dr. Asdrúbal, ganhou destaque após publicação do livro “O coronel rompe o silêncio”, de Luiz Maklouf Carvalho, no qual confessa a execução de 16 pessoas. Em 2012, tornou-se réu em um processo encaminhado pelo Ministério Público Federal de Marabá, pelo sequestro e desaparecimento do militante do PCdoB, Divino Ferreira de Souza.

“A articulação vem a púbico gritar em alto e bom som que nós não esqueceremos das barbaridades que você, Lício, e seus colegas repressores cometeram, sob o manto do AI-5. Denunciaremos aquelas atrocidades para que seus vizinhos e a sociedade brasileira saibam o que vocês fizeram”, destacou Dieymes Pechincha, do Levante Popular da Juventude.

Outra integrante da articulação, Ana Miranda do Coletivo RJ, ressaltou a importância do ato público e também pediu justiça. “Outros países da América Latina têm militares julgados e presos, no entanto, aqui no Brasil finge-se que nada aconteceu. É como se o tenente-coronel Lício dissesse na cara de todos: eu matei, torturei, decepei cabeças, ocultei cadáveres e até hoje vivo muito bem com meu salário e quero morrer anônimo, sem nunca ser julgado”, criticou.

A data foi escolhida para não deixar passar em branco os 44 anos do ato que aprofundou a repressão durante a ditadura civil-militar brasileira. “O Congresso foi fechado, intelectuais e artistas foram banidos, a censura recrudesceu, ampliou-se a perseguição às organizações populares e dos trabalhadores, salários foram achatados, liberdades foram ainda mais pisoteadas pelos coturnos da repressão”, detalhou Vitor Ferreira, da Consulta Popular.

Enquanto os militantes gritavam palavras de ordem, do alto de suas janelas os vizinhos acompanhavam a denúncia contra Lício. Pedestres e usuários do transporte público receberam panfletos e se interessavam pelo ato. O porteiro João apoiou a manifestação e classificou como uma “vergonha” o período militar. “Com estas mortes e torturas, os militares mancharam a história brasileira. Se formos procurar direitinho, temos vários militares nesta mesma situação aqui no bairro”, falou.

No final uma mística homenageou os militantes que tombaram sob responsabilidade do coronel. Uma faixa com o nome de todas as pessoas que morreram ou desapareceram durante a Guerrilha do Araguaia foi pendurada nas grades do prédio. Alem disso, uma faixa com os dizeres “Torturador encontrado” e fotos de Lício foram afixadas para amplo reconhecimento da vizinhança.

Levante-se contra a tortura!

Publicado: 7 de novembro de 2012 em Luta, Memória, Verdade e Justiça

Aos companheiros e companheiras que estão sendo processados por lutarem e defenderem a memória de nosso povo. Nós também escrachamos este médico da ditadura.

“Além do ímpeto pela defesa da história real do povo brasileiro, por ser necessário rechaçar as práticas e agentes públicos que ferem nossa dignidade e soberania, manifestamo-nos por entendermos que a efetivação dos direitos à memória, à verdade e à justiça é fundamental para darmos passos largos à realização de mudanças mais profundas no nosso país.

Indignado com nossa postura, o escrachado ofereceu uma queixa-crime contra seis estudantes, a qual tramita no Juizado Especial Criminal de Aracaju, autos do processo n° 201245102302, sendo que nem todos os universitários listados participaram das manifestações.

Pelo direito à memória, à verdade e à justiça! Para que não se esqueça; Para que nunca mais aconteça!

Em solidariedade aos seis estudantes processados por se manifestarem contra a Ditadura Militar!

Levante Popular da Juventude/Rio de Janeiro

Reportagem da OAB/RJ, publicada em seu site.

A OAB/RJ apoia o Levante Popular da Juventude, organização de jovens militantes que tem promovido, em várias partes do país, atos públicos ridicularizando militares e policiais acusados de envolvimento em torturas durante a ditadura pós 1964. O respaldo institucional foi dado nesta terça-feira, dia 5, pelo presidente Wadih Damous, ao receber pedido nesse sentido de um grupo de ativistas do Rio. Aqui, eles já promoveram panfletagem em frente ao Clube Militar e puseram faixa nos Arcos da Lapa em favor da Comissão da Verdade.

“O Levante cumpre um papel importante de busca da verdade de fatos escabrosos que aconteceram na ditadura militar, e os escrachos acabam por substituir a justiça que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria ter feito e não fez, ao decidir que torturadores estão sob o abrigo da Lei de Anistia”, afirmou Wadih, elogiando a atitude dos jovens. “Podem contar conosco”, disse.

Um dos integrantes do grupo, Thiago Ferreira, o Tiago Pará, contou que os integrantes do Levante começam a sentir a possibilidade de reação por parte dos acusados de torturas. “Viemos pedir o respaldo e o apoio da Ordem porque percebemos tentativas de identificar-nos e de buscar informações sobre nós. Queremos nos precaver”, contou, citando um episódio de tentativa de intimidação ocorrido em Sergipe. O Levante pretende colaborar com a Comissão da Verdade instituída pelo governo federal.

O movimento prepara um grande ato durante a realização da Cúpula dos Povos e pretende reunir outros grupos e entidades da sociedade civil em repúdio a nomes de agentes que participaram da ditadura militar. A data e o local serão divulgados em breve pelo grupo.

“Obrigado, garotada.”

Publicado: 17 de maio de 2012 em Luta, Memória, Verdade e Justiça

Por Marcelo Rubens Paiva, em seu blog.

Sensação estranha essa.

O que você faria se soubesse do endereço do militar responsável pela tortura e morte do seu pai?
E que ele circula pelo bairro livremente?

Soube hoje pelo vídeo postado no Youtube que um dos responsáveis pela morte do meu mora na Rua Marques de Abrantes, Botafogo, zona sul carioca, em que passo direto, sem nunca ter me dado conta de que no 218 mora a figura que mudou a vida da minha família e trouxe tanto sofrimento para nós e muitas outras famílias.

O que vou fazer a respeito?
Nada.
Vou esperar que a Comissão da Verdade faça.
Nem desviarei do meu caminho. Nunca desviei.

O vídeo foi postado pelo movimento Levante Popular da Juventude:

Que promove o esculacho a torturadores e agentes da repressão suspeitos em todo o país; os esculachos [ou escrachos] são ações similares às promovidas na Argentina e no Chile, em que jovens fazem atos de denúncias e revelações de torturadores da ditadura militar que não foram presos ou julgados.

No início de abril, um protesto semelhante foi realizado em São Paulo contra Harry Shibata, médico que teria atestado o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

No manifesto do grupo:
“Os manifestantes apoiam a instalação da Comissão da Verdade, cobram a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos e exigem que os torturadores sejam julgados e punidos.
Os jovens condenam a movimentação dos setores conservadores dentro e fora das Forças Armadas, que não aceitam a democracia e não admitem a memória, a verdade e a justiça, desrespeitando a autoridade da presidenta Dilma Rousseff e ministros de Estado, como no manifesto “Alerta à nação”.
Por isso, os jovens saem às ruas para denunciar a impunidade de torturadores e criminosos da ditadura com o objetivo de sensibilizar a sociedade e garantir que a Comissão tenha liberdade para fazer o seu trabalho e alcance seus objetivos.”

No dia 26 de março, o movimento fez protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba contra agentes da ditadura suspeitos de torturaram, mataram, perseguiram militantes.
E segundo matéria no ESTADÃO de hoje, de João Coscelli:

Manifestantes fazem uma nova rodada de “esculachos” contra torturadores e agentes ligados à ditadura segunda-feira, 14, em cidades de 12 Estados do País. Os protestos ocorrem poucos dias depois de a presidente Dilma Rousseff nomear os membros da Comissão da Verdade, destinada a esclarecer casos de violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

No Guarujá, litoral de São Paulo, cerca de cem pessoas protestaram em frente ao prédio onde mora tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) como torturador. Membros do grupo Levante Popular da Juventude, que organiza os atos, afirmaram ter recebido informações de que o ex-militar, chamado de “torturador pra presidente Dilma”, estaria em casa, mas ele não se manifestou. O protesto teve início às 10h e durou uma hora.

Em Belo Horizonte, o alvo do esculacho foi João Bosco Nacif da Silva, médico-legista da Polícia Civil da ditadura, que teria atestado uma laudo médico de suicídio para um prisioneiro torturado em uma delegacia da capital mineira em 1969. Cerca de 50 pessoas compareceram em frente ao prédio do médico com cartazes denunciando sua participação na repressão. De acordo com um dos manifestantes, Nacif da Silva se exaltou e tentou agredi-los, o que motivou o encerramento precoce do ato. A Polícia Militar apenas acompanhou a ação.
O grupo também promoveu manifestação em frente à residência do general da reserva José Antônio Nogueira Belham, denunciado como torturador do militante Rubens Paiva. Belham, que atualmente mora na zona sul da capital fluminense, foi o chefe do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) do Rio durante a ditadura.

Na capital baiana, quem recebeu o esculacho foi Dalmar Caribé, cabo do Exército acusado de ser o responsável pelos assassinatos dos militantes Carlos Lamarca e Zequinha Barreto. Em Recife, o desembargador aposentado Aquino de Farias Reis, ex-delegado do Dops também foi alvo de manifestação.
Houve protestos também em Teófilo Otoni (interior de Minas), João Pessoa (Paraíba), Belém (Pará), Aracaju (Sergipe), Fortaleza (Ceará) e em Natal (Rio Grande do Norte).

Bacana. Criativo. Justo.

Obrigado, garotada.

A família agradece.

Confira o vídeo-balanço de todas as ações de escracho do Levante Popular da Juventude pelo Brasil afora, realizadas no último dia 14 de maio.